Artigo: Mês da Educação traz a aprendizagem para o centro do debate

Mês da Educação traz a aprendizagem para o centro do debate

Aprender vai muito além do cognitivo: é também desenvolver competências para a vida

Ao falar de aprendizagem, a maioria das pessoas pensa nela de forma clássica: ler e escrever, saber fazer contas e adquirir conhecimentos. No entanto, é cada vez mais urgente que, ao ensinar, os educadores levem em consideração todas as dimensões do estudante: intelectual, física e socioemocional, entre outras, colocando-o efetivamente em um lugar de protagonismo e desenvolvimento pleno. 

De acordo com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), durante a pandemia, a aprendizagem dos estudantes brasileiros teve uma queda significativa. A proporção de alunos que não atingem o conhecimento esperado de língua portuguesa, por exemplo, passou de 15,5% em 2019 para 33,8% em 2021. 

Já um relatório divulgado pelo Banco Mundial aponta que a América Latina retrocedeu mais de uma década em termos de educação devido à pandemia. Isso coloca em evidência que a defasagem na aprendizagem é um dos atuais desafios da educação. É uma corrida contra o tempo: precisamos resolver desafios do passado ao mesmo tempo que devemos promover uma educação que olhe para as oportunidades e demandas do futuro. 

Tais dados nos permitem identificar claramente que a aprendizagem tem sido um grande desafio para os educadores e a pandemia deixou lacunas ainda maiores na educação. Esse cenário requer, mais do que nunca, estratégias para mitigar essas defasagens, como um olhar mais atento à formação plena dos educadores, currículo comprometido com a recuperação da aprendizagem e avaliações que apontem onde estão as maiores dificuldades. Também é necessário promover debates sobre os possíveis caminhos e políticas públicas de educação que permitam que crianças e jovens tenham a oportunidade de desenvolver de fato o seu potencial, transformando suas vidas e a realidade do país.

As propostas de aprendizagem que realmente podem apoiar a formação de crianças para serem protagonistas no século 21, bem como recuperar os atrasos causados pela pandemia, devem ser construídas com a perspectiva da educação integral. A aprendizagem de conhecimentos e habilidades cognitivas segue sendo relevante e precisa ser garantida com qualidade, mas tem que conviver com um trabalho igualmente intencional para o desenvolvimento também de competências para a vida, como autogestão, colaboração, criatividade, entre outras. Mais do que importantes para o futuro, tais habilidades são essenciais para que os estudantes consigam aprender os conteúdos escolares e sigam na escola. 

Quando o processo de aprendizagem é aplicado dentro do conceito de educação integral, abrangendo todo o contexto da realidade de cada estudante, ele não só aprende a ler e escrever, como aprende a agir de forma autônoma, trabalhar em time, ter empatia e tomar decisões conscientes, se tornando atuante em seu desenvolvimento. Quando esse tipo de educação acontece, as relações dentro e fora da escola, perceptivelmente, evoluem de forma muito positiva.  

Ao trabalhar as competências socioemocionais nas escolas, acolhemos professores e estudantes em sua totalidade, afinal, ao adentrar o ambiente escolar, as questões emocionais não ficam do lado de fora. Por isso, é preciso trilhar os dois caminhos, de aprendizagem e desenvolvimento socioemocional, sempre lado a lado, impulsionando o potencial de aprendizagem, o que renderá frutos também para a vida adulta. 

Por isso, é preciso olhar com muita atenção para os possíveis caminhos de desenvolvimento da educação. Esse trabalho requer uma abordagem multifacetada, que envolve a sociedade como um todo, famílias e governos, que devem estar atentos às desigualdades sociais e econômicas que impedem os acessos à Educação de qualidade. 

Além disso, as competências também atuam como fator protetivo contra os efeitos do bullying ou da violência, seja doméstica ou escolar. Na vida adulta, ter competências socioemocionais bem desenvolvidas pode ter efeitos positivos em indicadores de saúde, renda, empregabilidade, relações familiares, menores níveis de violência, entre outros.

Garantir que todas as crianças e jovens brasileiros tenham essas oportunidades de desenvolvimento é a missão do Instituto Ayrton Senna. Somos um centro de inovação em educação que produz conhecimento com base em evidências científicas para desenvolver propostas educacionais e políticas públicas comprometidas com o desenvolvimento integral de educadores e estudantes. Acreditamos que, diante de um mundo em constante transformação, é fundamental investigar novos conhecimentos para chegarmos a uma sociedade justa e igualitária. 

Os conhecimentos produzidos pelo Instituto ao longo de quase 30 anos de história, que já atingiram 36 milhões de estudantes em todo Brasil, estão disponíveis em nosso site.

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