Notícia: Dicas de quem já venceu: como participar do Prêmio Jovem Cientista no ensino médio?

Dicas de quem já venceu: como participar do Prêmio Jovem Cientista no ensino médio?

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Vencedores falam sobre desenvolvimento do projeto científico e impactos da premiação na carreira; Inscrições terminam dia 31 de julho

Três pessoas posam lado a lado em um palco, sorrindo para a foto. Ao centro, uma jovem segura um troféu e inclina levemente a cabeça, demonstrando alegria. À direita, um homem também segura um prêmio semelhante. À esquerda, um homem mais velho veste terno e gravata. Ao fundo, há um painel colorido com a inscrição “Categoria Ensino Médio”, indicando uma cerimônia de premiação.
Beatriz e o professor, orientador do projeto, na cerimônia de premiação: Foto: Jessica Ribeiro.

“Minha primeira viagem de avião foi para a cerimônia do Prêmio Jovem Cientista, em Brasília. Eu conheci pessoas de vários lugares do Brasil e essa experiência foi muito enriquecedora. Eu me senti muito valorizado. É muito bom você ser reconhecido pelo seu trabalho e é muito especial esse reconhecimento à pesquisa científica e a todos os envolvidos nesse processo”, destaca Bernardo Cordeiro, 1º lugar na categoria Estudante do Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista, em 2024.  

Hoje, o jovem cursa o segundo período de engenharia de controle e automação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e continua desenvolvendo o projeto premiado. Ele destaca a importância do Prêmio Jovem Cientista na sua trajetória e incentiva que outros estudantes também realizem sua inscrição. “Acho que é importante não se cobrar muito, porque isso faz o processo ficar pesado e atrapalha muito até na escrita. Outro ponto importante é ler o edital atentamente e articular o seu projeto ao tema da edição e a linha temática escolhida”, avalia.  

Com inscrições abertas até 31 de julho, esse ano o tema do Prêmio Jovem Cientista é “Inteligência artificial para o bem comum”. Na categoria Estudante do Ensino Médio, os jovens devem escolher também uma das seis linhas temáticas disponíveis no edital. Na inscrição, é necessário enviar o trabalho de pesquisa, com até 15 páginas, e o projeto deve ter, preferencialmente, uma aplicação prática voltada para a solução de problemas concretos. O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, conta com o patrocínio master da Shell e apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura.  

“Os primeiros passos que dei foram ler atentamente o edital do Prêmio e, em seguida, fazer o curso disponibilizado. Isso me ajudou a alinhar melhor as ideias do meu projeto e entender se eu estava no caminho certo. Foi essencial para organizar o que eu já tinha e transformar em algo mais estruturado e bem direcionado”, lembra Beatriz Vitória, que conquistou o 2º lugar do Ensino Médio no ano passado. 

O curso realizado por Beatriz está disponível na página oficial do Prêmio Jovem Cientista. A formação, digital e gratuita, apresenta o passo a passo da elaboração de um projeto científico e busca apoiar jovens interessados em participar da premiação, especialmente aqueles que ainda não tiveram contato com a escrita acadêmica. 

O trabalho enviado por Bernardo foi seu primeiro artigo acadêmico. Ele destaca que os registros feitos ao longo do desenvolvimento do projeto foram fundamentais para a escrita. “Eu registrava muita coisa, por escrito e em fotos. Quando fui redigir, já tinha bastante material, precisei apenas reorganizar e editar o texto”, conta. 

O projeto de Bernardo foi inicialmente desenvolvido como um trabalho de conclusão do ensino médio integrado ao ensino técnico de eletrônica, no Colégio Técnico da UFMG. Com orientação do professor, ele criou um sistema de defensivos agrícolas como opção mais sustentável para redução do uso de agrotóxico na produção de alimentos.  Com a premiação, ele também conquistou uma bolsa de iniciação científica do CNPq, o que, segundo Bernardo, possibilita a continuidade da pesquisa. 

O trabalho de Beatriz também parte de um problema com grande impacto no território. Ela desenvolveu um filtro capaz de reduzir a carga poluente da manipueira, resíduo tóxico gerado na produção de farinha de mandioca. Batizado de “filtropinha”, o dispositivo responde a uma demanda antiga das casas de farinha do Quilombo do Caroá, em Carnaíba, no Sertão do Pajeú, com baixo custo de produção. 

A jovem, que reside em Pernambuco, está prestes a ingressar no curso de Ciências Econômicas. Ela destaca que o reconhecimento do Prêmio trouxe impactos para todos os envolvidos no projeto. “Sou muito grata ao Prêmio Jovem Cientista pela visibilidade que proporcionou. Também agradeço aos meus orientadores e às pessoas da casa de farinha, que contribuíram diretamente para que o projeto se tornasse realidade. Foi muito gratificante ver esse reconhecimento alcançar não só a mim, mas também a minha escola, que recebeu o prêmio de mérito institucional, e a comunidade beneficiada. Foi a confirmação de que ninguém constrói nada sozinho e de que cada pessoa envolvida fez parte dessa conquista”, ressalta. 

No começo de abril, mais uma boa notícia chegou à casa de Beatriz: seu projeto de filtragem foi um dos vencedores do Prêmio LED Globo desse ano, iniciativa que reconhece soluções inovadoras.  

Linhas temáticas do Ensino Médio 

Na categoria Estudante do Ensino Médio, podem participar alunos matriculados em escolas públicas ou privadas de Ensino Médio, Profissional ou Tecnológico, que tenham menos de 25 anos em 31 de dezembro de 2026. Além do diálogo com o tema da edição, o projeto deve estar contido em uma das linhas temáticas abaixo. 

  1. Inteligência Artificial & Escola: IA aplicada à gestão sustentável de recursos na escola; Impactos de soluções com IA na organização de espaços educativos; Percepção de estudantes e professores sobre o uso de IA no cotidiano escolar; 
  2. Inteligência Artificial & Comunidade: IA como ferramenta de inclusão e acessibilidade no ambiente escolar e/ou comunitário; Papel da IA no registro e na preservação da memória comunitária; Potencial e limites de soluções com IA para demandas coletivas da comunidade; 
  3. Inteligência Artificial & Cidadania Digital: IA e desinformação — como jovens identificam e avaliam conteúdos gerados por algoritmos; Letramento digital e uso crítico de plataformas com recomendação algorítmica; Cidadania digital e responsabilidade no consumo e na produção de conteúdo mediado por IA; 
  4. Inteligência Artificial & Bem-estar: Influência de algoritmos de recomendação na saúde mental, na atenção e na socialização de jovens; Relação entre o uso de IA no cotidiano e o bem-estar emocional de estudantes; IA e a transição entre escola e mundo do trabalho; 
  5. Inteligência Artificial & Criação e Inovação: IA como ferramenta de prototipação e resolução de problemas cotidianos; Design inclusivo e soluções com IA voltadas ao bem-estar coletivo; Processos criativos mediados por IA — da ideia ao produto funcional; 
  6. Inteligência Artificial & Arte e Cultura: IA e criação artística — autoria, coautoria e originalidade; Impactos da IA generativa na produção cultural de jovens; IA como ferramenta de valorização e difusão de manifestações culturais locais; Percepções sobre o uso de IA na música, nas artes visuais e na produção audiovisual. 

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Sobre a Fundação Roberto Marinho        

A Fundação Roberto Marinho inova, há mais de 40 anos, em soluções de educação para não deixar ninguém para trás.  Promove, em todas as suas iniciativas, uma cultura de educação de forma encantadora, inclusiva e, sobretudo, emancipatória, em permanente diálogo com a sociedade. Desenvolve projetos voltados para a escolaridade básica e para a solução de problemas educacionais que impactam nas avaliações nacionais, como distorção idade-série, evasão escolar e defasagem na aprendizagem. A Fundação realiza, de forma sistemática, pesquisas que revelam os cenários das juventudes brasileiras. A partir desses dados, políticas públicas podem ser criadas nos mais diversos setores, em especial, na educação. Incentivar a inclusão produtiva de jovens no mundo do trabalho também está entre as suas prioridades, assim como a valorização da diversidade e da equidade. Com o Canal Futura fomenta, em todo o país, uma agenda de comunicação e de mobilização social, com ações e produções audiovisuais que chegam ao chão da escola, a educadores, aos jovens e suas famílias, que se apropriam e utilizam seus conteúdos educacionais.  Mais informações no Portal da Fundação Roberto Marinho. Saiba mais: www.frm.org.br.       

Sobre o CNPq    

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), criado em 1951, foi o principal ator na construção, consolidação e gestão do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. O CNPq é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e sua atuação se dá, principalmente, por meio do apoio financeiro a projetos científicos, selecionados por chamadas públicas lançadas periodicamente, e pela concessão de bolsas de pesquisa. Atualmente, são cerca de 90 mil bolsistas em diversas modalidades, desde a iniciação científica até o mais alto nível, as bolsas de Produtividade em Pesquisa. O CNPq também gerencia programas estratégicos para o país, como o de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), empregando recursos próprios ou oriundos de parcerias nacionais com fundações estaduais de amparo à pesquisa (FAPs), universidades, ministérios e empresas públicas e privadas, além das parcerias internacionais. Atua na divulgação científica, com o apoio a feiras de ciências, olimpíadas, publicações e eventos científicos, em especial a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Desde sua criação, o CNPq se encarrega de uma expressiva agenda de cooperação internacional, com destaque à colaboração em programas internacionais - bilaterais, regionais e multilaterais. Por meio do apoio a projetos conjuntos, do intercâmbio de pesquisadores e da participação em organismos internacionais, o Conselho fortalece as parcerias estratégicas para o Brasil, ao encontro do que estabelece a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.  

Sobre a Shell Brasil     

Há 112 anos no país, a Shell Brasil é uma companhia de energia integrada, com participação nos setores de Petróleo e Gás, Soluções Baseadas na Natureza, Pesquisa & Desenvolvimento e Trading, por meio da comercializadora Shell Energy Brasil. A companhia está presente ainda no segmento de Biocombustíveis por meio da joint-venture Raízen, que no Brasil também gerencia a distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. A Shell Brasil trabalha para atender à crescente demanda por energia de forma econômica, ambiental e socialmente responsável, avaliando tendências e cenários para responder ao desafio do futuro da energia.