Geração Futura lança curtas sobre memória ferroviária e promove formação de jovens no audiovisual
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A iniciativa vai transformar o conhecimento adquirido pelos participantes em produtos audiovisuais destinados à exibição no canal Futura e no Globoplay

Os curtas-metragens produzidos por jovens participantes do projeto Geração Futura — iniciativa de formação audiovisual realizada pela Fundação Roberto Marinho através do Canal Futura e em parceria com o Instituto Rumo, sendo viabilizado pelo Plano Plurianual — serão lançados nesta sexta-feira, dia 7 de agosto, às 9h, durante a programação da Jornada do Patrimônio, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. Criado há mais de 20 anos, o Geração Futura já formou mais de 500 estudantes e produziu mais de 400 vídeos.
Resultado de uma experiência de formação e realização audiovisual, os filmes apresentam diferentes olhares sobre a memória ferroviária e revelam histórias, personagens e saberes relacionados à presença dos trens e das ferrovias no cotidiano brasileiro. A iniciativa marca uma nova etapa do projeto, que transforma o conhecimento adquirido pelos participantes em produtos audiovisuais destinados à exibição no canal Futura em setembro e no Globoplay nesta sexta-feira.
Entre os trabalhos está o curta produzido por um grupo de jovens da Região Metropolitana de Campinas, que escolheu como recorte o trabalho invisível dos ferroviários. O filme investiga funções, conhecimentos técnicos e tarefas essenciais para o funcionamento diário das ferrovias, mas que raramente são percebidos pelo público. A partir de personagens e fontes locais, a produção percorreu oficinas, escritórios e estações ferroviárias de Campinas, Indaiatuba e Rio Claro, conectando memória, trabalho e tecnologia para lançar luz sobre profissionais fundamentais para a história e a operação do sistema ferroviário.
A produção dos filmes representou, para os participantes, a oportunidade de colocar em prática os conhecimentos adquiridos na primeira etapa do Geração Futura, realizada no canal Futura, no Rio de Janeiro, entre 26 e 30 de janeiro deste ano. O processo envolveu pesquisa, desenvolvimento de roteiro para televisão, pré-produção, organização de gravações, captação de imagem e som, entrevistas, decupagem, montagem, tratamento de áudio e cor, inserção de gráficos e finalização. Com acompanhamento da LZP Produções, de Rafael Lazzari (ex-participante do Geração Futura), Rafael Del Giudice e Giovana Padovani, os jovens vivenciaram diferentes etapas de uma produção audiovisual profissional, do planejamento à edição final.
“Os meses após a oficina presencial foram de muito trabalho e aprendizado. Em uma edição especial com um tema estabelecido pelo parceiro, a responsabilidade da entrega final ficou ainda maior. Além disso, a experiência que os jovens tiveram com o processo de captação e edição, com mais tempo e profundidade, tornou esse aprendizado muito valioso no âmbito profissional”, avalia André Libonati, líder de projetos da Fundação Roberto Marinho.
“A ferrovia exerceu e exerce papel estratégico no desenvolvimento socioeconômico do estado de São Paulo. Nós percebemos que as pessoas nutrem um afeto muito especial por esse modal e pelas memórias construídas em torno dele e, por isso, entendemos que era necessário preservar essas histórias. No Geração Futura, convidamos pessoas de diferentes gerações para relembrar suas trajetórias e possibilitamos que os jovens se aproximassem do cotidiano da ferrovia, por meio da produção audiovisual”, completa Tatiana Montório, coordenadora do Instituto Rumo.
Mais do que uma experiência técnica, a realização dos curtas também foi marcada pela construção coletiva. Estudantes de diferentes universidades, cursos, idades, gêneros e origens trabalharam juntos na definição dos caminhos narrativos e nas escolhas de produção. A diversidade de perspectivas contribuiu para ampliar os olhares sobre o patrimônio ferroviário e para construir narrativas que valorizam memórias e conhecimentos muitas vezes pouco visibilizados. O projeto também permitiu que os jovens compreendessem, na prática, como a colaboração entre diferentes profissionais e áreas é fundamental para a realização audiovisual.
A participação na Jornada do Patrimônio amplia a visibilidade dos trabalhos e reforça o papel do Geração Futura na formação de novos realizadores e na valorização da memória e do patrimônio cultural. Para os jovens, o lançamento representa a concretização de uma trajetória que começou na formação e chegou à realização de uma obra audiovisual destinada ao público. A experiência evidencia ainda como iniciativas de formação podem aproximar novas gerações do audiovisual e criar caminhos profissionais para jovens que desejam transformar o interesse pela produção audiovisual em carreira.
"Para mim, o projeto Geração Futura Juventudes foi um divisor de águas. Além de ampliar meu domínio sobre as etapas da realização audiovisual, fortaleceu minha formação profissional e tem aberto novas oportunidades. Mais do que aprender técnicas, compreendi que o audiovisual é, antes de tudo, uma construção coletiva. É a colaboração entre diferentes pessoas, setores e olhares que torna cada produção possível e dá força para contar histórias capazes de transformar. Se viver do audiovisual parecia apenas um sonho, hoje depois do Geração Futura, esse sonho está muito mais próximo de se tornar realidade", finaliza Davi Farinelli, um dos participantes do projeto.
Curtas-metragens do Geração Futura
Direção: Alanis Ribeiro
Sinopse: Em Santos, os trilhos contam histórias que ligam passado, presente e futuro. Entre a movimentação do Porto, os desafios ambientais e as memórias de quem viveu a ferrovia de perto, o documentário mostra como o transporte ferroviário pode contribuir para uma logística mais sustentável e uma economia de baixo carbono. Especialistas e personagens locais refletem sobre o equilíbrio entre desenvolvimento, cidade e preservação ambiental.
Direção: Emily Cardozo
Sinopse: Por meio do relato de duas jovens, o documentário resgata a importância dos trilhos para o crescimento de São José do Rio Preto e mostra como sua atividade se transformou ao longo do tempo. Se antes a ferrovia conectava pessoas, hoje ela movimenta mercadorias, oportunidades e novos caminhos para as futuras gerações, que buscam crescer juntas.
Direção: Amanda Poiati e Fayollah Souza
Sinopse: Os trilhos de um trem carregam grandes memórias afetivas. Muitos moram próximos a uma linha de trem e até mesmo já a usaram como forma de transporte. O documentário mostra momentos marcantes e relatos guardados na memória de pessoas que têm uma ligação antiga com a ferrovia e como esse elo marcou suas vidas.
Direção: Felipe Cruz
Sinopse: Ao longo dos trilhos que marcaram o desenvolvimento de São José do Rio Preto, histórias de famílias, trabalhadores e guardiões da memória revelam como o trem não transportou apenas pessoas e mercadorias, mas também sonhos, encontros e lembranças que atravessam gerações. Entre memórias do passado e reflexões sobre o presente, o documentário mostra como a ferrovia continua conectando vidas.
Direção: Iolanda Russo
Sinopse: Trilhos Invisíveis revela os bastidores da operação ferroviária e o trabalho de alguns dos profissionais que mantêm os trens em movimento todos os dias. Entre locomotivas, centros de controle, áreas de manutenção e tecnologia, o documentário mostra o cotidiano de trabalhadores que transformam em realidade os caminhos a serem trilhados.
Direção: Cendy Domingues
Sinopse: Os trilhos cortam Santos há mais de um século. Eles movimentam a economia, conectam o Porto ao país e atravessam a vida de milhares de pessoas. Mas o que existe além das locomotivas e dos vagões? Em A Cidade e os Trilhos, trabalhadores, apaixonados por trens e moradores que convivem diariamente com a ferrovia, revelam as múltiplas relações que surgem ao redor da ferrovia. Entre progresso, memória, desafios e pertencimento, o curta acompanha histórias que mostram como a cidade e os trilhos constroem, juntos, diferentes percursos.
