Notícia: Infraestrutura, equipes e financiamento do CEPID CancerThera

Infraestrutura, equipes e financiamento do CEPID CancerThera

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Realizado no âmbito do edital Comunicar Ciência, do projeto Ciência para todos, uma iniciativa da Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Canal Futura, da Fundação Roberto Marinho, este conteúdo foi desenvolvido pelos estudantes bolsistas Amira Romagnoli Al Dergham e Larissa Mansano de Souza, sob a orientação da professora Elba Cristina Sá De Camargo Etchebehere, da Universidade Estadual de Campinas.

Infraestrutura, equipes e financiamento do CEPID CancerThera

Como um centro de pesquisa em câncer formado por três universidades paulistas está se preparando para enfrentar os desafios futuros da oncologia? A resposta envolve uma visão estratégica que une o investimento em infraestrutura, a formação de equipes multidisciplinares e a busca por financiamento sólido em pesquisas. 

Com o propósito de promover inovação e cooperação, a equipe do CancerThera vem se dedicando a desenvolver novas possibilidades para o diagnóstico e o tratamento do câncer, garantindo que pacientes tenham acesso a eficientes tecnologias, qualidade de vida e cuidados personalizados em saúde. O CancerThera é o nome curto para Centro de Inovação Teranóstica em Câncer, financiado majoritariamente como um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

De acordo com Luciana Malavolta Quaglio, radioquímica, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e uma das pesquisadoras principais do CEPID CancerThera, o coração dessa inovação está na capacitação de equipes que atuam em diferentes áreas do conhecimento. “A formação de novos pesquisadores na área teranóstica é crucial para impulsionar o avanço científico e tecnológico dessa abordagem inovadora, que integra diagnóstico e terapia. Uma equipe multidisciplinar capacitada poderá trabalhar desde o desenvolvimento de novos radiofármacos, passando pelos estudos pré-clínicos, chegando até os estudos translacionais na área de medicina nuclear”,  diz a pesquisadora.

Além de desenvolver inovações terapêuticas, esses pesquisadores desempenham um papel crucial na educação da próxima geração de cientistas, assegurando que o legado de descobertas continue a beneficiar os pacientes oncológicos por muitos anos.

Integração: dos estudos científicos à prática clínica

Uma das propostas do CEPID CancerThera é a produção e o compartilhamento interdisciplinar de conhecimento sobre o uso de metalofármacos e radiofármacos no teranóstico no câncer. Por isso, diferentes pesquisadores colaboram de maneira integrada em distintas etapas do processo – pesquisas básica, pré-clínica e clínica – e são originários de diferentes áreas, tais como medicina nuclear,  oncologia,  onco-hematologia, radiofarmácia, radioquímica e química.

Seus estudos são fundamentados na chamada “pesquisa translacional”, que envolve a aplicação de técnicas de pesquisa básica, ensaios pré-clínicos e clínicos, assim como o uso de ferramentas que atendem às necessidades da clínica médica. Esse tipo de pesquisa é realizado por uma equipe integrada de especialistas, que se concentram em converter informações relevantes dos laboratórios em prestação de cuidados e soluções para as unidades de saúde. 

Os estudos translacionais desempenham um papel crucial no sucesso do CEPID CancerThera, já que conectam diretamente a pesquisa básica com a aplicação clínica, acelerando o desenvolvimento de novas possibilidades de diagnósticos e tratamentos no câncer – como a abordagem teranóstica, área de concentração do centro de pesquisa, na qual a utilização de radiofármacos personalizados, capazes de identificar e tratar tumores de maneira precisa, promete tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

Infraestrutura e financiamento

Com sede no Centro de Hematologia e Hemoterapia da Universidade Estadual de Campinas (Hemocentro/Unicamp), o CEPID CancerThera se beneficia de uma ampla infraestrutura aliada ao empenho de profissionais – muitos deles pesquisadores mestres, doutores e pós-doutorandos – e em um ambiente colaborativo que também reúne equipes da FCMSCSP  e do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC/USP). Essa convergência de recursos materiais e humanos permite que o centro de pesquisa seja um polo de inovação em oncologia, sendo esses os pilares que garantem a excelência nas pesquisas translacionais, favorecendo desde as descobertas em laboratório até a aplicação terapêutica.

No que diz respeito ao financiamento, o CEPID CancerThera se sustenta, majoritariamente, por meio de recursos da FAPESP e, ainda, por parcerias estratégicas com instituições do Brasil e do exterior. Os CEPIDs como o CancerThera promovem pesquisas com o objetivo de gerar inovações e contribuir para a formação de recursos humanos qualificados. Por meio dos CEPIDs, a FAPESP busca conectar diferentes atores e instituições para garantir que os resultados das pesquisas beneficiem diretamente a sociedade, acelerando a convergência entre a inovação e a difusão do conhecimento. Além disso, colaborações internacionais, como a da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), um dos órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU), e de outras instituições nacionais, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), fortalecem as investigações conduzidas no centro.

 

A multidisciplinaridade na pesquisa

 

Além da infraestrutura robusta e do sólido financiamento, o sucesso do CEPID CancerThera está nas mãos de equipes altamente especializadas que integram diversas áreas científicas. Segundo o químico Pedro Paulo Corbi, professor do Instituto de Química da Unicamp e um dos pesquisadores principais no centro, o desenvolvimento de novos radiofármacos para aplicações teranósticas necessita de profissionais das mais diversas áreas: "Por se tratar de uma área de pesquisa relativamente recente, há poucos pesquisadores com uma formação mais ampla e que envolve várias áreas do conhecimento como a química, a biologia, a farmácia, a biomedicina, a medicina, entre outras. Por isso, formar novos pesquisadores que possam transitar entre as áreas de pesquisa básica e clínica é um desafio a ser superado", destaca. 

A colaboração entre essas áreas se reflete também no papel central da radiofarmácia, da radioquímica e da radiobiologia, responsáveis pela produção e por assegurar a segurança da aplicação dos radiofármacos utilizados no teranóstico. Esses radiofármacos, formados por moléculas que incorporam isótopos radioativos e têm afinidade por tumores, passam por um método de produção altamente especializado, no qual os pesquisadores do CEPID CancerThera estão empenhados. 

“É fundamental a formação de profissionais já com uma visão multidisciplinar, que consigam ter um conhecimento aprofundado na sua área de atuação principal, mas que também dialoguem com profissionais de outras áreas para entenderem as necessidades que há nessas outras áreas, ‘falando a mesma língua’, para todo mundo convergir para um resultado satisfatório, que é um desenvolvimento efetivo da pesquisa na abordagem teranóstica”, explica Victor Marcelo Deflon, químico, professor do IQSC/USP e pesquisador principal no CEPID CancerThera. 

Combinando o conhecimento das mais diversas áreas que o constituem, o CEPID CancerThera não apenas desenvolve novas tecnologias para os cuidados com pacientes oncológicos, mas também prepara profissionais para enfrentar os desafios da atuação e da inovação na tecnologia teranóstica, que está em franco crescimento. Nesse sentido, então, o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e a capacitação de novos pesquisadores se mostram essenciais para o avanço do centro de pesquisa nos próximos anos.